sexta-feira, 25 de setembro de 2009
“Não tenho desejo nenhum de lutar contra o Anderson”, diz Belfort
De volta ao UFC, berço de Vitor Belfort no MMA (Vale Tudo), esse carioca versado em jiu-jitsu retornou com força às manchetes de tablóides e sites especialistas em lutas.
Eterno “Fenômeno” do UFC por ter vencido o torneio peso-pesado (acima de 93kg) aos 19 anos de idade, Belfort tem tudo para brigar mais uma vez pelo título de campeão. Só que dessa vez entre os pesos-médios (84kg) e aos 35 anos.
No último sábado, ele bateu com facilidade o ex-campeão Rich Franklin. Foi o retorno de Vítor ao UFC depois de quatro anos afastado de lá. E, aos olhos do presidente do evento, Dana White, já serviu para credenciá-lo ao título dos médios, na cintura hoje do compatriota Anderson Silva.
Acostumado à dura rotina de treinos de MMA e jiu-jitsu desde quando ingressou na Carslon Gracie Team, aos 13 anos, Belfort é um atleta de altos e baixos.
Depois de estourar no UFC ainda menino, a pressão de ser visto como um dos maiores nomes do MMA abalou seu desempenho.
Por alguns anos, foi apontado pelos fãs como o maior caso de talento desperdiçado no mundo das lutas. Mas desde 2007 reencontrou a trilha da vitória.
Bateu os últimos cinco adversários que encarou. E com um passado de campeão (ele tem no cartel o título do torneio dos pesados e o cinturão dos meio-pesados), foi alçado ao posto de principal desafiante de Anderson Silva, atleta mais temido do UFC.
Na última quinta-feira, enquanto estava numa festa infantil, Belfort conversou com o blog Mano a Mano a respeito das chances de enfrentar Anderson. E revelou: “Não tenho desejo nenhum de lutar contra ele”.
O faixa-preta falou também sobre a última vitória dele. E relembrou momentos marcantes da carreira.
Belfort venceu até hoje 19 combates e perdeu oito vezes. Segue a entrevista:
* Saiba mais sobre Belfort aqui
Blog Mano a Mano - Se dependesse da sua escolha, você pediria para enfrentar o Anderson já neste momento ou faria mais algumas lutas antes disso?
A minha escolha é só uma. Eu escolho o meu treinamento. Escolho pagar o preço (de ser lutador). Eu não tenho nenhum desejo de lutar contra o Anderson, é o contrário. Eu o admiro. Acho que ele conquistou o espaço dele com merecimento. Não tenho desejo nenhum de lutar contra ele, de provar que sou capaz de derrotá-lo. Eu sei que quando dois campeões se enfrentam os dois tem condições. Não tenho o mínimo de desejo de fazer uma luta contra o Anderson, porém eu sou um operário. Eu vivo disso. Eu trabalho para o UFC contratualmente. Eu não tenho direito de escolher luta nenhuma. Eu tava até conversando com o meu empresário (o Fabiano Farah) e ele me disse: “Vítor, nós não temos o direito de escolher luta nenhuma”. O que o UFC achar que é bom para os fãs e para o UFC, eu acato. Agora, não tenho desejo nenhum de fazer essa luta. Não tenho aquela coisa pessoal, não tenho esse desejo. Muito pelo contrário, eu curto muito ver o Anderson lutando, eu aprendo muito com ele. Eu o admiro. Já pude ajudar ele e ele já pôde me ajudar. Não tenho interesse nessa luta.
Rickson Gracie me disse que seria mais sensato que você fizesse mais algumas lutas no UFC antes de encarar o campeão. O que você acha disso?
Hoje, meu ritmo, ele ditado, eu luto feliz. O ritmo da luta, de como vai a luta (de quem será o próximo adversário), eu não me preocupo muito com isso, até porque meu treinamento tem sido muito difícil, eu venho pagando um preço muito caro dentro do treinamento. Eu dou tempo ao tempo. Sem pressa. O meu desejo é poder reconquistar o meu espaço, que já está conquistado. Não tenho que provar nada a ninguém. Eu quero me divertir, quero dar o meu melhor para os fãs que eu acho que eles merecem.
O que Dana White te disse depois da sua vitória diante de Rich Franklin?
Ele disse várias vezes que adorou. Que achou fantástico. Disse que hoje eu sou um dos contratados mais importantes. E se disse muito feliz, muito contente com a luta.
Mas ele falou algo sobre você enfrentar o Anderson?
Ele tá querendo promover essa luta, com certeza. Assim que possível ele tá querendo promover essa luta. Mas nós não conversamos muito sobre isso. Não tivemos muito tempo pra falar sobre a próxima luta.
Ficou surpreso em bater o Rich de forma tão rápida? Foi mais simples do que você previa?
Não fiquei surpreso. Eu tava preparado para vencê-lo a qualquer momento. Mas nada é fácil, meu irmão. Nada vem fácil. Com o sacrifício que eu paguei, nada seria fácil.
Tem críticos que dizem que o Rich é supervalorizado. O que você acha?
Eu acho que ele merece o valor dele. Ele continua no topo. Ele venceu bons atletas e tem pouquíssima derrotas. Acho que quando um atleta perde todo mundo que sempre botar pra baixo. E o Rich é um grande atleta, um grande lutador. Mas os críticos estão sempre colocando as pessoas pra baixo. O Rich não perdeu para uma pessoa ruim. Perdeu para um cara bom (referindo-se a si mesmo), ai é normal. Campeão contra campeão, sempre vai acabar em um campeão derrotado.
Você se sente credenciado para lutar pelo título do UFC depois de apenas uma luta desde seu retorno ao evento?
Quem sou eu para achar se sou credenciado, se não sou credenciado? Não cabe a mim essa decisão. Eu me sinto muito feliz em estar fazendo o meu trabalho. To muito contente em estar realizando meu trabalho bem feito. Acho que os fãs, a imprensa e os promotores, todo mundo está contente.
Você se sente preparado para brigar pelo título do Anderson?
Eu acho que estou preparado para enfrentar qualquer lutador. É esse o meu pensamento hoje. Eu não tenho medo de enfrentar nenhum lutador. Eu sei que sou capaz de ganhar de qualquer um. É só uma questão de tentar e conseguir.
Você está no auge da sua carreira ou o melhor momento passou?
O auge sempre é no início, né. Hoje eu acho que estou muito maduro. Hoje eu acho que estou no melhor momento da minha carreira.
Você carregou por muitos anos o estigma de ser um atleta com baixa auto-estima. Depois de mais de 10 anos de carreira, como você avalia isso?
Eu sempre tive pavor de gente arrogante. De gente prepotente. A gente pode ter confiança e não ser prepotente. O importante é saber dosar isso. Na realidade eu sempre carreguei muita pressão nas minhas costas. Mas sempre fiz minhas lutas.
O que o Carlson Gracie representou na sua vida?
O Carlson foi uma pessoa muito importante pra mim. Tivemos uma relação muito boa. Depois a gente teve uns problemas profissionais e ele levou isso para o lado pessoal. Mas isso passou. No final da vida dele a gente fez as pazes. Eu devo muito o início da minha carreira no MMA ao Carlson.
Qual foi a derrota mais difícil de digerir?
Todas (risos). A derrota mais recente (contra Dan Henderson). Derrota é uma coisa que não é muito boa, não. Mas serve para você aprender.
Se pudesse escolher uma revanche, contra quem faria
Tito Ortiz. Sou amigo dele. Gosto dele. Não tenho anda contra ele. Não tenho nada contra ninguém. Mas como o resultado da nossa luta foi injusto queria enfrentá-lo.
Demitido do UFC, Thales promete “dar volta por cima”
Recém-demitido do UFC, Thales Leites não consegue esconder o sorriso.
Se na vida profissional seu afastamento do mais valioso evento de MMA (Vale Tudo) caiu como uma bomba, na pessoal o nascimento da filha Valentina deu a esse carioca motivo de sobra para rir.
Enquanto curte a filhota, o pai de primeira viagem faixa-preta de jiu-jitsu conversou com o blog Mano a Mano a propósito de seus planos para o futuro, demissão do UFC, Anderson Silva e Vitor Belfort.
O ápice da carreira de Thales no MMA, por ora, foi ter encarado Anderson Silva pelo cinturão peso-médio do UFC. Thales não só perdeu a luta como saiu vaiado depois de uma apresentação morna.
No UFC, Thales bateu cinco adversários seguidos. Perdeu três vezes, sendo duas delas as suas últimas lutas no evento. Acabou cortado de forma injusta na opinião majoritária de críticos e fãs. Seu cartel é de 14 vitórias e três derrotas.
A demissão do especialista em golpes de estrangulamento e torções, as chamadas finalizações, foi decidida por Joe Silva, o responsável pela escolha das lutas.
Dana White, presidente do UFC, chegou a dizer que Thales seria recontratado, mas a promessa foi da boca pra fora.
Para saber mais sobre Thales e sua demissão clique aqui.
Segue a entrevista exclusiva com Thales:
Blog Mano a Mano - Como anda a carreira?
To tentando fechar com outros eventos ai, mas por enquanto está apenas em negociação, não tem nada. O Joinha (Jorge Guimarães, empresário dele) está correndo atrás de algum evento pra mim. Eu até falei com ele esses dias e ele me disse que tá correndo atrás e que em breve eu terei alguma notícia. Até o fim deste mês devo saber de algo.
E o treinamento?
To treinado devagarzinho. To treinando tranquilo. Nada forçando muito porque ainda não tem nada marcado. Se tiver alguma coisa vai ser daqui a uns dois meses. Treino todo dia, mas to enfatizando mais o chão já que (o treino) é mais próximo aqui de casa (em Niterói). Mas duas vezes na semana eu vou ao Rio treinar MMA. O que der pra treinar eu vou treinando, mas não to com meu cronograma certinho porque minha filha nasceu agora e to focado nela.
E a vida de pai?
Ter filho dá mais trabalho do que eu imaginava, mas vale muito a pena. É muito bom. Você fica cansado, mas quando olha pra carinha dela recompensa na hora.
O que achou da vitória de Vitor Belfort diante de Rich Franklin no UFC 103?
Eu achava que o Vitor Belfort ia nocautear o Rich Franklin. Belfort é um cara que tem um boxe muito bom, canhoto, é bastante experiente e eu sabia que se ele não ganhasse ele, ao menos, daria muito trabalho para o Rich. Era uma vitória que eu já esperava.
O que acha de Vitor disputar o cinturão do Anderson?
Acho que o UFC tá querendo muito casar a luta entre Vitor e Anderson Silva (campeão até 84kg). O fato de o Vitor ter ido para o UFC é um claro sinal de que Dana White (presidente do evento) quer que ele lute pelo cinturão. Deram essa luta pra ele contra o Rich, que é um ex-campeão e ganhando do jeito que ele ganhou tem grandes chances de colocarem o Vitor para encarar Anderson. Se tiver que apostar num deles, acho que apostaria em Anderson. Mas seria uma grande luta. É difícil prever como seria já que são dois atletas de altíssimo nível se enfrentando. Os dois são canhotos, os dois são excelentes na parte de trocação (socos e chutes), os dois são bons na parte de chão.
Por que Dana disse que voltaria atrás na sua demissão e não voltou?
Não sei se a minha demissão era mesmo vontade do Dana White ou se era uma coisa que ele não podia mexer no momento. Mas eu ainda acho que tenho grandes chances de voltar ao UFC. O Vítor é um que saiu e voltou. O negócio é lutar em outros eventos para mostrar meu trabalho e respirar outros ares, fazer outras lutas e quem sabe no futuro voltar para o UFC, que é o grande foco de todo mundo.
Veremos mais uma luta do Thales em 2009?
Eu espero voltar a lutar ainda em 2009. É isso que estou buscando, que eu consiga fazer uma luta ainda este ano. Eu acho que tem grandes chances deu lutar até dezembro. Pode ser na América ou no Japão, vamos ver.
2009 está sendo um ano bom?
Este ano não foi muito bom pra mim na área profissional, mas na pessoal tão acontecendo coisas muito boas.
Anderson é o melhor do mundo? Vocês se dão bem?
Eu nunca tive nenhum problema com o Anderson Silva. Mas as pessoas ficam querendo criar uma situação que não existe pra vender mais a luta. Eu sempre tirei o chapéu para ele. É lógico que antes de enfrentá-lo, quando me perguntavam o que eu achava da luta, eu dizia que ia ganhar, afinal, o que eu devia dizer? Mas se me perguntarem se ele é o número um, eu direi que ele é o número um.
Vai faltar motivação quando for lutar em eventos menores?
Pode escrever que eu vou dar volta por cima. Vou lutar em outro evento. Desistir, jamais! Não vai faltar motivação.

